Mostrando postagens com marcador Aiuruoca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aiuruoca. Mostrar todas as postagens

Programação da 1a Mostra de Cinema de Aiuruoca

Editado por Com os pés na cabeça às 05:36

O Filme será exibido dia 18 de novembro, às 16:30 h na 1a Mostra de Cinema de Aiuruoca, cidade em que foi rodado. Segue programação do evento. Os diretores e a grande maioria do elenco confirmou presença.

1a Mostra de Cinema de Aiuruoca

Editado por Com os pés na cabeça às 16:54

O "Com os pés na cabeça" será exibido na 1a Mostra de Cinema de Aiuruoca no dia 17 de novembro de 2012, dentro da Mostra Raízes, que terá entrada gratuita. Para mais informações, acesse: http://mostracinemaaiuruoca.com/

Conceito

Editado por Com os pés na cabeça às 19:52

O roteiro foi inspirado nas histórias de dois povoados mineiros da Serra da Mantiqueira, na área rural da cidade de Aiuruoca, chamados Vale do Matutu e Pedra. A região faz parte da reserva da biosfera da Mata Atlântica, possuindo belas paisagens naturais e conservando um dos derradeiros remanescentes da mata atlântica de altitude.

Os habitantes desta área rural ali se instalaram há um século e viveram sem muita interferência externa, dedicando-se às atividades agropastoris. Algumas décadas atrás, pessoas advindas dos grandes centros urbanos passaram a visitar a região e várias acabaram por fixar residência, interferindo na organização tradicional. O contato entre pessoas de cultura urbana e os nativos resultou em uma série de transformações.

Antes da chegada dos forasteiros, soltas pelos terreiros, as crianças cresciam quase sem roupa e acontecia de não usarem sapatos até a adolescência, sendo que os habitantes mais humildes podiam passar a vida sem um calçado. 

A relação entre nativos e forasteiros e de ambos com seus sapatos foi a inspiração para o roteiro. A história é simples: fala de um embate entre o homem rural e o urbano através do olhar das crianças.  Além disso, há outros aspectos da cultura rural presentes no filme, como os padrões de comportamentos, as crenças, as instituições e os valores do homem do campo. O formato curta metragem presta-se a este tipo de história: pequena no tamanho, porém de grande representatividade dentro do cenário cultural brasileiro.

Proposta de direção

Editado por Com os pés na cabeça às 19:47

O filme será rodado somente em locações, buscando uma caracterização dos espaços próxima a sua realidade. A proposta é filmar a história exatamente no local que a inspirou: o município de Aiuruoca, MG.

A direção de arte trabalhará com a realidade encontrada nas locações escolhidas, fazendo pequenas intervenções de modo a prepará-las para a filmagem. Seguindo o mesmo pensamento, pretende-se filmar os próprios trabalhadores rurais no seu dia a dia. Porém, não é nenhuma proposta documental, uma vez que os trabalhadores estarão “atuando para a câmera” de acordo com a direção do curta-metragem.

A realidade do homem do campo será tratada de forma poética pela fotografia do filme, transmitindo climas e sensações através das imagens. Na cena da igreja, raios de luz que entram pelos vitrais darão um “ar divino” à situação. Nas cenas com os trabalhadores no campo, as paisagens serão filmadas com a tênue luz da manhã, resultando numa fotografia de contraste suave. Já na sequência da Quermesse, o universo infantil será representado através de uma saturação das cores, de brilhos e high-lights e de uma luz mais contrastada.

O ponto de vista (PV) da câmera igual ao do protagonista será um procedimento estilístico adotado em algumas cenas. Quase toda a primeira sequência, por exemplo, será vista a partir do olhar do protagonista. Neste momento, vêem-se somente os pés e sapatos dos personagens (filmados com câmera na mão), revelando literalmente a visão de Zeco. Se o personagem é louco por sapatos, inicia-se o filme mostrando somente os sapatos que ele tanto admira, a ponto de nem olhar para os rostos. O mesmo recurso refletirá a timidez do personagem que abaixa a cabeça sem coragem de encarar as pessoas. O PV de Zeco olhando o próprio pé será um plano recorrente no curta.

O aúdio do filme nem sempre será o equivalente ao som ambiente, dando destaque ao elemento em que o personagem fixa a sua atenção. Por exemplo, na cena da Igreja, o som do padre rezando a missa some e somente se escutam os passos de Clara passando em alto volume. Quando o personagem volta a si, o som fica congruente com a realidade.

Pretende-se trabalhar com atores e não-atores, aproveitando pessoas da região no elenco selecionadas através de testes. Haverá ensaios antes da filmagem, porém o diálogo escrito no roteiro poderá ser alterado mediante uma ação de improviso do ator, que terá o espaço livre para sugestões. A intenção é conseguir naturalidade e espontaneidade nas interpretações.

Enfim, o filme adotará uma linguagem narrativa clássica, fazendo uso de procedimentos que ajudam a enfatizar o tema descrito no roteiro, como os planos detalhes de sapatos e a visão do mundo através dos olhos do protagonista. Os cenários e as interpretações terão uma orientação naturalista, porém contando o tempo todo com a intervenção da direção de modo que a idéia original do roteiro seja transformada em imagens e sons.